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The Economist: “Brazil Takes Off”

 

Análise do artigo: “Brazil Takes Off” publicado pela The Economist

 

brazil-takes-offÉ inegável que o Brasil está em evidência no exterior, muitos países têm olhado com grande curiosidade e admiração a forma com que o Brasil encarou a crise. Realmente fomos um dos últimos a sentir os efeitos da desaceleração mundial e nossa economia já desponta com crescimento vigoroso e consumo em alta.

 

A imagem do país também mudou consideravelmente, anteriormente palavras como “Carnaval” e “Futebol” eram diretamente e facilmente associadas ao Brasil. Hoje em dia o cenário é diferente, eu mesmo tive essa experiência de forma muito clara a última vez que estive em Stanford, todos alunos que descobriam que eu era brasileiro me abordavam de forma entusiasmada sempre iniciando a conversa com duas perguntas: “E a economia? Vejo que vocês tem crescido muito!”, “E o presidente Lula? Ele realmente está transformando o país?”.

 

Tenho que reconhecer que eu também sou um grande entusiasta do crescimento brasileiro e do sucesso recente da nossa economia. No entanto, vale lembrar que muito do que nos salvou da crise também nos manteve isolados e em estado de estagnação econômica por um longo tempo. Nosso mercado vem se mostrando cada vez mais dinâmico e vigoroso e nossas empresas tem atingido níveis de expansão e lucro que fazem inveja ao mundo desenvolvido, mas precisamos sempre nos lembrar também dos problemas que ainda temos que resolver. O artigo “Brazil takes off” publicado pela The Economist apresenta muito bem este cenário e aponta de maneira excelente este contraponto entre o sucesso recente e os problemas ainda em aberto. Uma ótima leitura para compreender o momento em que estamos vivendo:

 

“WHEN, back in 2001, economists at Goldman Sachs bracketed Brazil with Russia, India and China as the economies that would come to dominate the world, there was much sniping about the B in the BRIC acronym. Brazil? A country with a growth rate as skimpy as its swimsuits, prey to any financial crisis that was around, a place of chronic political instability, whose infinite capacity to squander its obvious potential was as legendary as its talent for football and carnivals, did not seem to belong with those emerging titans.

 

Now that scepticism looks misplaced. China may be leading the world economy out of recession but Brazil is also on a roll. It did not avoid the downturn, but was among the last in and the first out. Its economy is growing again at an annualised rate of 5%. It should pick up more speed over the next few years as big new deep-sea oilfields come on stream, and as Asian countries still hunger for food and minerals from Brazil’s vast and bountiful land. Forecasts vary, but sometime in the decade after 2014—rather sooner than Goldman Sachs envisaged—Brazil is likely to become the world’s fifth-largest economy, overtaking Britain and France. By 2025 São Paulo will be its fifth-wealthiest city, according to PwC, a consultancy.

 

At last, economic sense

 

In fact, Brazil’s emergence has been steady, not sudden. The first steps were taken in the 1990s when, having exhausted all other options, it settled on a sensible set of economic policies. Inflation was tamed, and spendthrift local and federal governments were required by law to rein in their debts. The Central Bank was granted autonomy, charged with keeping inflation low and ensuring that banks eschew the adventurism that has damaged Britain and America. The economy was thrown open to foreign trade and investment, and many state industries were privatised.

 

National champions and national handicaps

 

There are new problems on the horizon, just beyond those oil platforms offshore. The real has gained almost 50% against the dollar since early December. That boosts Brazilians’ living standards by making imports cheaper. But it makes life hard for exporters. The government last month imposed a tax on short-term capital inflows. But that is unlikely to stop the currency’s appreciation, especially once the oil starts pumping.

 

Lula is right to say that his country deserves respect, just as he deserves much of the adulation he enjoys. But he has also been a lucky president, reaping the rewards of the commodity boom and operating from the solid platform for growth erected by his predecessor, Fernando Henrique Cardoso. Maintaining Brazil’s improved performance in a world suffering harder times means that Lula’s successor will have to tackle some of the problems that he has felt able to ignore. So the outcome of the election may determine the speed with which Brazil advances in the post-Lula era. Nevertheless, the country’s course seems to be set. Its take-off is all the more admirable because it has been achieved through reform and democratic consensus-building. If only China could say the same.”

 

Fonte: http://www.economist.com/opinion/displaystory.cfm?story_id=14845197

 

Copyright: The Economist

Exame: “COP15 termina, mas com acordo fraco”

 

Análise do artigo: “COP15 termina, mas com acordo fraco” publicado pelo Portal Exame em 18 de dezembro

 

cop15-v2Nas últimas semanas de dezembro entregamos boa parte de nossas esperanças por um mundo mais sustentável na mão dos líderes mundiais reunidos em Copenhagen. Pouco antes do início do encontro já era difícil de imaginar que a conferência terminaria com um amplo acordo e definições claras de metas de redução das emissões, no entanto, ainda havia esperança.

 

Ao longo do encontro o que vimos foi uma conferência marcada pela desorganização, desentendimento e decepção. Causou-me certo espanto ver a forma com que as autoridades dinamarquesas perderam o controle do evento, seja pelo caos na entrada do centro de convenções ou pelos constantes tumultos provocados pelo enfrentamento direto entre manifestantes e forças policiais. Da mesma forma fiquei espantado com o pensamento e a postura individualista marcante nos líderes nacionais que estiveram presentes na reunião.

 

De certa forma o Brasil fez a sua parte ao levar ao encontro metas definidas de redução, e adotar uma postura pragmática de resolver o problema em pequenos grupos de países com alta relevância internacional para posteriormente apresentar uma proposta mais coesa à plenária. Mas estas iniciativas não foram suficientes, a conferência foi marcada por debates intermináveis e poucos resultados práticos. Muitos a vêem como um grande fracasso, poucos a vêem como o início, ainda que discreto, de uma discussão que ainda renderá muitos frutos para o mundo, visão da qual eu compartilho. O fato é que o encontro terminou, e agora nos resta esperar desdobramentos positivos das discussões e do fraco acordo construído pelos líderes que estiveram presentes em Copenhagen.

 

A Revista Exame analisou de forma muito competente o apagar das luzes da COP15, apontando os principais pontos do acordo construído ao longo do evento. Vale a pena ler e analisar este artigo, desta forma podemos saber o que esperar dos desdobramentos deste polêmico encontro. Boa leitura!

 

“A 15ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP15) chegou ao fim nesta sexta-feira sem o acordo esperado por todos. A última esperança era a reunião realizada entre Brasil, China, Estados Unidos, África do Sul e Índia. Mas nesse encontro não houve consenso entre os 193 países participantes das discussões sobre a redução de emissões de gases-estufa. 

 

O ministro brasileiro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse a jornalistas que o conteúdo do documento será feito considerando um possível encontro em 2010. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama já se despediram da conferência climática.

 

Um funcionário oficial do governo norte-americano disse que as decisões tomadas pelos Estados Unidos em Copenhague não foram suficientes para chegar a um acordo global, mas são importantes para uma primeira ação: “Nenhum país está totalmente satisfeito com cada elemento. Mas é um passo significativo e histórico para a frente…Entramos nessa negociação em um momento em que os países tinham diferenças significativas”.

 

O último esboço de documento divulgado hoje estipulava a redução de gases-estufa em 80% para os países ricos e em 50% para as demais nações até 2050. Se for aceita, a nova proposta considera a meta a partir dos níveis estabelecidos em 1990. O que ainda está indefenida é a meta para 2020.

 

Um grupo composto por 25 países - desenvolvidos e em desenvolimento - elaborou uma declaração de duas páginas definindo os próximos passos do combate às mudanças climáticas. Entre eles, está a mobilização de 30 bilhões de dólares nos próximos três anos para ajudar países pobres. A intenção é que, a partir de 2020, sejam destinados anualmente cerca de 100 bilhões de dólares em favor da causa ambiental.

 

Em discurso improvisado, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse estar frustrado com a falta de inteligência dos chefes de Estado para promover um acordo global. Mesmo assim, Lula se propôs a ajudar financeiramente o fundo climático, destinado a países pobres.”

 

Fonte: http://portalexame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/noticias/cop15-chega-ao-fim-acordo-definido-521257.html

 

Copyright: Portal Exame

Wall Street Journal: “Dubai: A High Rise, Then a Steep Fall”

Análise do artigo: “Dubai: A High Rise, Then a Steep Fall” publicado no The Wall Street Journal no último dia 4 de dezembro.
 
dubai-1É interessante notar a evolução dos ciclos econômicos no capitalismo, parei para notar nos últimos dias como de década em década somos pegos de “surpresa” com uma crise de escala mundial que assola os mercados financeiros e traz consigo impactos consideráveis sobre a economia real.

Da mesma forma é interessante notar como são formadas “bolhas” econômicas que servem de bomba relógio para estas crises decenais que bombardeiam as economias nacionais. Na década de 70 a bolha do petróleo alimentou a subsequente crise. Na década de 80 a bolha de Wall Street alimentou a crise da queda da NYSE em 1987. Na década de 90 a bolha da internet alimentou a crise das empresas de tecnologia. Recentemente a bolha imobiliária somada a desregulamentação dos derivativos gerou a atual crise em que estamos inseridos.

O artigo recentemente publicado no The Wall Street Journal “Dubai: A High Rise, Then a Steep Fall” mostra um pouco de outra bolha que estava se formando aos olhos do mundo e que estourou na última semana, a bolha de Dubai. Tenho sentido um pouco de falta de informação disponível sobre o assunto então fiz questão de publicá-lo para contribuir um pouco mais com a discussão do tema, boa leitura a todos:

“As financial crisis roiled much of the world in October 2008, the head of Dubai’s biggest state-owned developer unveiled his latest megaproject: a $38 billion development that would include a tower nearly two-thirds of a mile tall.

Since then, residential real-estate prices in Dubai have slumped by almost 50%. Developers have slashed jobs and scrapped projects. Groundbreaking on the tower was long ago put on hold. The yearlong retrenchment culminated in last week’s surprise announcement that Dubai would seek to restructure $26 billion of debts owed by Dubai World, the holding company for many of the government’s port, infrastructure and real-estate businesses.

Behind this jolt was one of the world’s most concentrated property bubbles. Some $430 billion worth of construction projects have been scrapped across the United Arab Emirates, a desert country with a population of just 4.5 million and an area smaller than South Carolina. The majority were slated for the emirate of Dubai, according to estimates by the Middle East Economic Digest, a regional projects tracker.

The boom was fueled by easy credit, a poorly regulated market overrun by speculators, and cheerleading from Dubai officials — including the hereditary ruler, Sheik Mohammed bin Rashid Al Maktoum.

His vision for the city — a tolerant, modern metropolis open to the world, its many faiths and some of its excesses — has long rankled conservative Arab neighbors, including some officials in Abu Dhabi, the buttoned-down capital of the U.A.E. But for others, Dubai became a symbol of what a modern Arab state might achieve if it embraced the West and its financial system. President Barack Obama, in a June speech to the Muslim world in Cairo, singled out Dubai as a place where economic development worked

International securities markets recovered their poise after a scare, but the effects aren’t just financial. The debt announcement appeared to open a fresh rift between Dubai and U.A.E. capital Abu Dhabi. Federal officials there were livid at being left in the dark by Dubai’s decision to seek a debt standstill, say people familiar with the situation. The rift has the potential to unsettle an important U.S. ally in the Persian Gulf, because Dubai, as a re-export hub and offshore financial center for Iranian businesses, is seen as key to U.S. efforts to isolate Iran.

Dubai and Abu Dhabi officials have underscored unity in recent days. But while the U.A.E. federal government orchestrated a $10 billion bailout earlier this year for Dubai companies, it hasn’t stepped in to offer assistance to Dubai World.”

Fonte: http://online.wsj.com/article/SB125988807548075805.html?mod=rss_Today’s_Most_Popular

Copyright: The Wall Street Journal

Wharton: “Why Economists Failed to Predict the Financial Crisis”

 

Análise do artigo: “Why Economists Failed to Predict the Financial Crisis” publicado pela Knowledge Wharton no último dia 13 de maio.

 

financial-crisisContinuando a nossa série de artigos sobre a crise mundial, o recém publicado artigo da Wharton Business School nos traz uma visão interessante sobre como os modelos econômicos matemáticos adotados pelo sistema financeiro são falhos e incompletos.

 

Os autores destacam que os principais modelos preditivos adotados têm como premissa base que os agentes econômicos agem racionalmente, quando na verdade diversos outros fatores psico-sociais tem influência direta sobre as decisões financeiras tanto de indivíduos quanto de grandes organizações.

 

O início do artigo é bastante interessante, com uma argumentação provocativa questionando os economistas como um todo e sua crença de que apenas a chamada “economia real” seria a fonte das crises e não o sistema financeiro e seus produtos de alto risco.

 

A leitura deste artigo certamente será muito proveitosa, vale destacar que a Wharton é uma das escolas de administração mais respeitadas em todo o globo e que suas publicações são a fonte de informação de grandes tomadores de decisões mundo a fora. Boa Leitura:

 

“There is a long list of professions that failed to see the financial crisis brewing. Wall Street bankers and deal-makers top it, but banking regulators are on it as well, along with the Federal Reserve. Politicians and journalists have shared the blame, as have mortgage lenders and even real estate agents.

 

But what about economists? Of all the experts, weren’t they the best equipped to see around the corners and warn of impending disaster?

 

Indeed, a sense that they missed the call has led to soul searching among many economists. While some did warn that home prices were forming a bubble, others confess to a widespread failure to foresee the damage the bubble would cause when it burst. Some economists are harsher, arguing that a free-market bias in the profession, coupled with outmoded and simplistic analytical tools, blinded many of their colleagues to the danger.

 

Lessons Not Learned

 

Prior to the latest crisis, there were two well-known occasions when exotic bets, leverage and inadequate modeling combined to create crises, the paper’s authors say, arguing that economists should therefore have known what could happen. The first case, the stock market crash of 1987, began with a small drop in prices which triggered an avalanche of sell orders in computerized trading programs, causing a further price decline that triggered more automatic sales.

 

The second case was the 1998 collapse of the Long-Term Capital Management (LTCM) hedge fund. It had built up a huge position in government bonds from the U.S. and other countries, and was forced into a wave of selling after a Russian government bond default knocked bond prices down.

 

“When there’s a default in one kind of bond, it causes reassessment of all the risks,” says Wharton economics professor Richard Marston. “I don’t think we have really fully learned from the LTCM crisis, or from other crises, the extent to which things are illiquid.” These crises have shown that market participants can rely too heavily on the belief they can quickly unload securities that decline in price, He says. In fact, the downward spiral can be so rapid that it leaves investors with losses far larger than they had thought possible.

 

In the current crisis, he says, economists “should get blamed for the overall unwillingness to take into account liquidity risk. And I think it’s going to force us to reassess that.”

 

Academics also are beginning to reassess business-school curricula. Wharton management professor Stephen J. Kobrin recently moderated a faculty panel that talked about a wide range of possible responses to the crisis. Among the issues discussed, he says, was whether Wharton’s curriculum should include more on regulation and risk management, as well as executive education programs for regulators and other government officials.

 

Kobrin said he believes many academics share “an ideological fixation with free markets and lack of regulation” that should be reexamined. “Obviously, people missed the boat on a lot of the risks that a lot of financial instruments entailed,” he says. “We need to think about what changes are needed in the curriculum.”

 

Fonte: http://knowledge.wharton.upenn.edu/article.cfm?articleid=2234

 

Copyright: Knowledge Wharton

Newsweek: “The New Shopping Superpower”

   

Análise do artigo: “The New Shopping Superpower - The BRICs rely increasingly on domestic demand and can boom even if export markets like the U.S. slow” de Jim O’Neil, economista chefe da Goldman Sachs.

 

bric-08-v2A crise atual tem colocado em xeque muitas das expectativas macro-economicas construidas ao longo da última década. Dentre tais expectativas uma das mais proeminentes certamente é a de fortalecimento contínuo e acelerado da economia dos países emergentes diante dos países em desenvolvimento, em especial no famoso grupo dos BRIC (Brasil, Rússia, índia e China).

 

A expressão BRIC foi cunhada no estudo “Dreaming With BRICs: The Path to 2050” publicado pela Goldman Sachs em outubro de 2003, no qual realizou-se uma série de análises de tendência acerca das perspectivas econômicas dos quatro maiores países emergentes do globo. Fatores como crescimento esperado do PIB, renda per capita e política monetária foram analisados e chegou-se a conclusão de que este grupo de países se tornaria a maior força econômica mundial por volta do ano de 2050.

 

Com o advento recente da crise e seus efeitos dramáticos em diversas economias dos países emergentes,  muitos questionaram se ainda eram sustentáveis as previsões realizadas pelos analistas da Goldman Sachs em relação aos BRICs.

 

O texto abaixo publicado na penúltima edição da revista americana Newsweek nos traz uma luz sobre o tema e apresenta uma visão bastante otimista. Vale destacar que o autor do artigo é Jim O’Neil, o próprio economista chefe do Goldman Sachs, o que torna o texto ainda mais relevante. Boa leitura:

 

“China’s February trade surplus plunges, industrial production falls to record lows, electricity consumption slows dramatically, millions flee Shenzhen and other cities in the east as factories close. These are just a few recent news items that have prompted client e-mails requesting my latest forecasts for the BRICs, the term we at Goldman Sachs coined back in 2001 to encapsulate the excitement about Brazil, Russia, India and China, the world’s most promising emerging markets. What everyone wants to know is whether this is the end for what we called the BRIC “dream.”

 

The simple answer is no. While I predicted a few years back that the BRIC economies would together be larger in dollar terms than the G7 by 2035, I now believe that this shift could happen much faster—by 2027. Take the gloomy prognostications for China, the biggest and most important of the BRICs. What the China doomsayers don’t report is that through February retail sales growth rose by 15 percent. Consumer prices have fallen sharply, providing a big boost in real income. The government is stimulating demand through infrastructure spending, and Beijing has announced major plans to strengthen medical coverage, something that could eventually release a tremendous amount of pent-up Chinese savings. The Chinese A-share market, which fell more than 60 percent in 2008, hit bottom on Nov. 10. It’s no coincidence that this was the day Beijing announced a stimulus package of 4 trillion yuan. Since then, Chinese stocks have rallied by more than 30 percent, outperforming U.S. stocks by close to 50 percent.

 

Who said decoupling was dead? The decoupling idea is that, because the BRICs rely increasingly on domestic demand, they can continue to boom even if their most important export market, the United States, slows dramatically. The idea came into disrepute last fall, when the U.S. market collapse started to spread to the BRICs, but there’s now lots of evidence that decoupling is alive and well.

 

This year the BRICs as a whole will grow only about 4 percent. But compare that with the truly bleak forecasts for the rest of the world. Our latest global GDP forecast for 2009 shows a decline of 1.1 percent. We forecast a decline for the U.S. of 3.2 percent; an even worse fall-off for the euro area, negative 3.6 percent; and for Japan, an astonishing decline of 6.1 percent. The good news is that things will get better. In 2010, we expect world growth to be near 3 percent, with China, stimulated by growing domestic demand, back at 9 percent, and India at 6.6 percent.

 

Within this overall picture, there is clear evidence of a major rebalancing, as BRIC shoppers account for an increasingly large share of global consumption. When we track retail shoppers from 2004 to 2008 (using data adjusted for inflation and the relative size of national economies), it becomes clear that European and Japanese shoppers were barely contributing anything to real consumption growth. American shoppers gradually contributed less up to 2007 before completely zipping up their wallets in 2008. BRIC shoppers slowly contributed more, and, importantly, their contribution continued to increase into 2008, despite the collapse of the U.S. shopper.

 

At the heart of this shift in consumer power is China. Its total economy already equals that of the other three BRICs put together, and what happens to China is critical for the BRICs, and the world. With the authorities announcing plans to introduce medical insurance to 90 percent of the rural community by 2011, a huge infrastructure-spending program and a massive easing of monetary and financial conditions, the only debate in my mind is exactly when China will restore its growth rate back above 8 percent. When that happens, I suspect I’ll be getting far fewer worried e-mails asking what our new BRIC projections look like!”

 

Autor: Jim O’Neil, economista chefe da Goldman Sachs, comentarios por Otávio Calixto (texto em versão parcial, publicado pela Newsweek em 21 de março de 2009).

 

Fonte: http://www.newsweek.com/id/190384

 

Copyright: Newsweek

Preview: Efeitos da Exportação e do apoio da APEX sobre o Planejamento Estratégico

   

Resumo

 

international-trade-v1A intensificação do comércio internacional nos últimos anos foi acompanhada por uma concentração das transações externas nos grandes grupos empresariais em detrimento das pequenas e médias empresas que carecem de recursos e expertise para realizar tais operações. A par desta carência o governo federal vem fortalecendo seus órgãos de promoção e auxílio no desenvolvimento da atividade de exportação; sendo a APEX-Brasil (Agência de Promoção de Exportações e Investimentos do Ministério do Desenvolvimento) o principal ícone neste sentido.

 

Uma vez inserida neste ambiente e dispondo do suporte do corpo técnico da APEX-Brasil, a empresa apoiada passa a sofrer influência direta da atividade internacional em seus processos. Com isso altera-se a formulação de metas, estratégias e programas; levando a organização a rever todo o seu planejamento estratégico devido à amplitude e diversidade de efeitos advindos do comércio internacional.

 

Dado este contexto, o artigo apresenta um amplo mapeamento das alterações decorrentes do advento da atividade exportadora e do apoio da APEX-Brasil, buscando dar maior clareza ao conjunto destes efeitos sobre o Planejamento Estratégico Empresarial. Tal análise encontra justificativa no fato de todas as áreas funcionais de uma organização serem afetadas pela sua inserção no mercado global.

 

Dispondo deste mapeamento, as organizações que iniciam a exportação de seus produtos/ serviços podem direcionar adequadamente seus esforços e investimentos. Possibilitando, desta forma, um sucesso não só no cenário internacional, mas também no mercado interno devido ao fato do comércio exterior ter alto potencial de geração de receitas e de desenvolvimento de competências organizacionais.

Este texto é um preview do artigo de mesmo nome publicado no Seminário Nacional de Administração - USP e que em breve será postado aqui no site.

Autor: Otávio Calixto (texto em versão parcial)

 

Geração de Vantagem Competitiva em Exportação de Serviços: uma visão do Offshore Outsourcing na Índia

     

taj-mahal-v1O artigo apresenta de forma breve uma análise de como a Índia alcançou a posição de líder no mercado mundial de Offshore Outsourcing (terceirização de serviços/ atividades para empresas com sede em outro país). Conseguindo diferenciar seus serviços, expandir a sua base de clientes e por fim desenvolver uma vantagem competitiva sustentável frente à concorrência.

 

Com intuito de tornar o artigo mais rico, ao longo do texto são exploradas informações de agências e instituições internacionais, indianas e americanas (principal cliente do Outsourcing indiano). Da mesma forma a bibliografia utilizada usa diversas fontes com ênfase em textos em inglês devido à ainda incipiente quantidade de publicações nesse sentido no Brasil.

 

O Processo de Exportação de Serviços

            A evolução da Índia no setor de exportação de serviços de TI apresenta e apresentou crescimento vertiginoso nos últimos anos. Um relatório do escritório de contabilidade do governo americano (United States Government Accountability Office) de Outubro de 2005, mostra um pouco dessa realidade, apontando que em 2003 as exportações de serviços indianos para os EUA já chegava aos US$ 8,7 bilhões, apresentando uma expansão de aproximadamente 35% em relação ao ano anterior (quando foram reportados US$ 6,4 bilhões).

Quando são analisados os dados referentes ao período de 1999 a 2003 o crescimento apontado é de quase 164% em apenas 5 anos.

Dados da UNCTAD estimam que já em 2003 esse mercado alcançou US$ 9,5 bilhões, sendo que deste montante US$ 7,2 bilhões são provenientes de serviços e produtos de TI e US$ 2,3 bilhões de Outsourcing. A expectativa da instituição é que o mercado atinja entre US$ 21 bilhões e US$ 24 bilhões até 2008.

Conforme citado o Outsourcing na Índia teve início no começo dos anos 90, quando algumas empresas americanas em busca de baratear seus custos de atividades não vinculadas às suas competências centrais contrataram empresas indianas para realizar tarefas simples como a de “data entry” (basicamente inserir dados em um banco de informações eletrônicas). Com o decorrer dos anos a Índia passou a oferecer serviços cada vez mais complexos e completos para os seus clientes americanos, incluindo serviços de telemarketing, serviços financeiros, desenvolvimento de software e até mesmo consultoria. Apesar da concorrência crescente, a posição da Índia na liderança nunca chegou a ser ameaçada, pelo contrário: sua liderança tornava-se cada vez mais absoluta.

            A exportação da expertise indiana se estendeu para muito além das fronteiras americanas e passou a fazer parte do dia-dia de empresas em praticamente todos os continentes. Muitos se perguntam qual é o motivo de a Índia ter avançado de forma tão tenaz e constante, mesmo em um mercado que já no fim da década de 90 possuía países onde a mão-de-obra era mais barata do que a indiana (que é o caso de países africanos que já ofereciam serviços básicos com bases de dados) e países com grande força econômica e maior proximidade do ocidente (como é o caso do México e Brasil).

            A resposta a essa pergunta é simples: a Índia conseguiu diferenciar seus serviços dos serviços oferecidos pelos seus concorrentes. Certamente o fato de ter sido a primeira nação a oferecer o Outsourcing de serviços de TI deu certa vantagem para a Índia. Porém se não houvesse ao longo do tempo a diferenciação destes serviços em relação àqueles oferecidos pela concorrência seguramente não ocorreria um crescimento tão sólido desse setor no país.

            Muitos atribuem ao idioma a principal vantagem e diferenciação indiana, no entanto, os principais estudiosos do tema e a UNCTAD (2003) destacam três pontos como fatores determinantes da posição competitiva atual da Índia:

 

1 – Baixos custos de mão-de-obra associados a uma força de trabalho com bom nível de compreensão do idioma inglês e de aplicações de TI

2 – Um ambiente apropriado de infra-estrutura de tecnologia e comunicação

3 – Localização em fuso horário conveniente para os países desenvolvidos (o turno de trabalho na Índia ocorre durante a noite na maioria dos países desenvolvidos, possibilitando a idéia de um trabalho contínuo quando há integração entre as duas partes: país cliente e país prestador do serviço).

 

Uma vez expostos os fatores que diferenciam os serviços de TI indianos frente à concorrência torna-se mais fácil compreender a forte posição de liderança do país no setor. Porém vale questionar o seguinte ponto: como a Índia tem se aproveitado desses elementos de diferenciação para criar uma Vantagem Competitiva e dessa forma agregar mais valor aos seus serviços exportados e tornar ainda mais forte e sustentável essa liderança no médio e longo prazo?

 

A Vantagem Competitiva

 

            Os fatores de diferenciação são importantes para destacar a Índia diante dos demais países em desenvolvimento, mas o que realmente tem aumentado o lucro das empresas indianas nos últimos anos e atraído ainda mais clientes é a contínua oferta de serviços e produtos de TI de alto valor agregado.

            A Índia não só tem passado a oferecer serviços com maior valor agregado como também tem oferecido soluções completas e integradas, e investido cada vez mais na capacitação de sua mão-de-obra conforme se verifica com dados e estimativas do IDC de 2005 publicados pela National Association of Software and Service Companies da Índia:

As taxas de crescimento do investimento indiano em soluções de Outsourcing completo, integração de sistemas e consultoria em tecnologia da informação estão entre as maiores e tem crescimento médio previsto até 2009 próximos ou superiores a 20% ao ano. Apontando um sólido investimento nacional no sentido de fortalecer serviços que possuem maior valor agregado.

            Os dados mostram um firme e contínuo investimento em educação e treinamento em TI, capacitando dessa forma a mão-de-obra local a produzir e especializar-se na geração de soluções em tecnologia; garantindo a sustentabilidade e manutenção da posição de liderança da Índia no mundo.

            Somado a este crescente investimento, os indianos, com o seu esforço em entregar serviços de alto valor agregado, conseguiram avançar importantes posições na hierarquia de serviços (apresentada em nossa revisão bibliográfica). Sendo exatamente aí a fonte de sua Vantagem Competitiva frente aos concorrentes: o Outsourcing indiano passou a ser ainda mais atrativo para os consumidores ocidentais devido ao ganho de maturidade e experiência adquiridas em entregar serviços mais complexos e completos, conforme já concluía a UNCTAD (2003) em seu relatório de e-commerce.

            Destacam-se três atividades em grande expansão no setor de TI indiano que são integrantes dos níveis mais altos na hierarquia de serviços. A primeira delas é a consultoria em TI que é uma atividade enquadrada no topo da hierarquia e que, portanto traz maior valor, risco e margem devido ao seu nível de complexidade e à importância para o cliente. O forte investimento interno indiano nesse sentido é de grande valia, principalmente no sentido de gerar mais riqueza para o país e o diferenciá-lo ainda mais.

A segunda atividade que deve ser destacada são os serviços de call-center, tanto os serviços de atendimento quanto aqueles de telemarketing. Atividade que em primeira análise parece simples, mas é complexa em seu desenvolvimento e execução. Ainda mais considerando que esses serviços de atendimento são feitos por indianos diretamente para clientes-finais (consumidores) americanos, ou seja, os dois além de estarem a milhares e milhares de quilômetros de distância, possuem realidades completamente distintas, aí já se pode notar a complexidade envolvida (poucos países no mundo são capazes de prover tal serviço a outro país). A atividade de interface com o cliente está presente em segundo lugar na hierarquia de serviços em termos de geração de valor e de margem de lucro e como já é de amplo conhecimento está em franca expansão na Índia.

            Por fim, vale destacar os investimentos em soluções de Outsourcing completo. Atividade que requer muita credibilidade junto à empresa cliente e que possibilita ganhos nos mais diversos níveis da hierarquia de serviços. Neste tipo de operação é de grande importância um amplo conhecimento de cada uma das etapas do processo por parte da empresa prestadora do serviço.

            Poder-se-ía também citar como exemplos de atividades bem-sucedidas do Outsourcing indiano a expansão de serviços bancários e de seguros. Mas apenas esses três casos apresentados já demonstram como a Índia tem plenas condições de manter sua posição de liderança através da manutenção de sua vantagem competitiva, uma vez que há investimentos consideráveis nesse sentido e há demanda crescente.

 

Este texto é uma versão parcial do artigo de mesmo nome que foi submetido ao Seminário Nacional de Administração - USP

 

Autor: Otávio Calixto (texto em versão parcial)