2010: O ano da virada
Sejam todos muito bem vindos ao site Gestão & Estratégia! É com grande felicidade que venho recepcioná-los aqui neste espaço que só se tornou possível com o apoio moral e profissional de muitos de vocês que me acompanharam nestes últimos anos.
Pensei por um bom tempo o que escrever neste artigo de relançamento do site. Cheguei a conclusão que, para um ano tão esperado como 2010, não há nada mais adequado do que refletir sobre o que teremos pela frente nesses próximos meses.
O ano de 2010 aponta em todos os sentidos como “o ano da virada”, tanto no âmbito interno, no qual o Brasil tende a retomar com grande força seu crescimento e consolidar sua posição de destaque, quanto no âmbito externo, no qual o mundo espera ansioso uma retomada da normalidade econômica e o início de uma década mais segura e sustentável.
Fatos & Tendências no Brasil
Certamente a palavra “crescimento” é a mais adequada para descrever a situação do país em 2010, não apenas o amplamente discutido crescimento econômico, mas também o crescimento social, político e do empresariado brasileiro.
No que tange a economia as estimativas são de crescimento robusto, certamente na faixa dos 5%, havendo apostas de crescimento superior a 6%. Setores como o varejo, bens de consumo, infra-estrutura e e-commerce devem alcançar níveis de crescimento acima de 2 dígitos. Com a retomada do crédito, a ampliação da renda e o aumento do número de empregos o consumidor já inicia o ano com ampla disposição ao consumo.
O Índice de Expectativa do Consumidor, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria, atingiu níveis recordes em dezembro de 2009, chegando ao índice de 117,2 pontos, um aumento de 6,7% em relação ao índice de dezembro de 2008. O ano de 2010 também será um ano de grande destaque pelos eventos que trará com ele, a Copa do Mundo tradicionalmente impulsiona as vendas de bebidas e eletroeletrônicos; e as Eleições tipicamente geram grandes níveis de investimentos federais em infra-estrutura que devem ser ainda maiores com o começo das obras para a Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016.
Oferecemos mais do que nunca um mix único e importantíssimo de estabilidade, crescimento econômico em um cenário de ampla democracia. Nossas empresas devem operar em ritmo acelerado aproveitando a situação de baixos estoques e grande demanda. A efervescência deve tomar conta também no mundo das fusões e aquisições, recuperando a queda de quase 30% em 2009 comparado a 2008, quando atingiram o recorde de US$ 95 bi. É esperado também aumento considerável nas ofertas de ações na bolsa, o volume deve aumentar em até 40% em relação a 2009 quando chegaram a US$ 20 bi.
Fatos & Tendências no Mundo
Se para o Brasil a palavra é “crescimento” para o mundo a palavra é sem dúvida “cautela”. A combinação de euforia econômica em alguns países emergentes e um cenário de imensas dúvidas em diversos países desenvolvidos apresentará um mundo de indicadores modestos para 2010, mas com resultados consistentemente melhores que 2009.
O PIB mundial deve crescer na ordem de 3,2% (baseado em paridade do poder de compra, PPP), um nível consideravelmente inferior ao registro recente de 5% de crescimento em 2007, mas bem mais adequado do que a taxa de -1,5% de 2008. Apesar dos amplos programas de estímulo econômico e da crescente melhora do mercado financeiro, os países desenvolvidos devem crescer a uma taxa de somente 1,7%, enquanto os países emergentes devem apresentar taxa de 5,2%.
O maior destaque continuará a ser a China, que em tempos de crise expandiu seu PIB em mais de 8% em 2009 e deverá retomar a taxa de 10% em 2010, o elevado crescimento deverá ser impulsionado pelos investimentos em infra-estrutura e no mercado de bens de consumo. O gigante asiático alcança dois grandes marcos econômicos em 2010: tornar-se a 2ª maior economia do mundo, ultrapassando o Japão; e atingir a marca de 10% de participação em todo o comércio mundial. Reforçando ainda mais a tese de que as aspirações mundiais estarão em torno de um G2, formado apenas pela superpotência chinesa e o ainda vigoroso império americano.
Por fim, dois fatores serão fundamentais para o retorno da normalidade econômica mundial: a retomada do crescimento no comércio mundial atingido em cheio com a crise econômica, em 2010 as trocas globais deverão crescer em dólares cerca de 3,7%, frente a uma forte derrocada de -9,4% em 2009; e as taxas de juros devem permanecer baixas em todo o mundo, facilitando o crédito às empresas e aos consumidores em geral.
Fontes: EIU – Economist Intelligence Unit, IPEA, CNI, UNCTAD e Portal Exame.



Um bom exemplo de que quando se fala em oportunidade em crise é exatamente isso: enquanto Brasil afora era apenas um emergente no marasmo econômico e arriscado, agora, passa a ser um importante foco de investimento e atenção.
Talvez só uma crise mundial poderia mostrar isso de forma tão evidente quanto se mostrou. De alguma forma a instabilidade do passado serviu pra melhorar essa percepção, já que qualquer solavanco econômico de algum país relevante o Brasil praticamente virava o barco.
Agora a economia mundial se declina e o Brasil, pobre desacreditado, surpreende a comunidade mundial.
Espero que esse crescimento não aumente a concentração de renda e a destruição do meio ambiente; do contrário, ele não faria sentido algum.
Excelente post Otávio.
Arriba Brasil.
Abraços.
Ótimo ponto de vista Henrique!
É realmente impressionante notar como saímos de uma posição de “pobre desacreditado” para uma posição de “estrela dos emergentes”.
Vamos esperar que 2010 continue a reservar excelentes oportunidades para todos nós!
Um grande abraço!
É bom lembrar também a tendência de crescimento não é somente na China, apesar de estar em destaque, há também países como a Índia e Russia que também demonstram destaques em diversas áreas.
Parabéns pelo site. Muito bom mesmo! Não sou tão amante de economia, mas o modo como você escreve os artigos é bem claro e mesmo que não sabe muito sobre economia consegue entender.
Adorei! Parabéns Otavio!
Ótimo comentário Eber, realmente os BRICs serão a grande força da economia mundial nos próximos anos. Obrigado pelo comentário! um grande abraço